Você Tem Medo do Perigo?

 

“Até que ponto eu vejo o outro como outra pessoa, até que ponto perco a objetividade e o vejo como um espelho de mim? Todos nós tendemos a projetar coisas de nossas almas sobre as outras pessoas, em maior ou menor grau, e em alguns momentos específicos. Avaliar melhor se aquilo que você tanto critica ou elogia em seu próximo está realmente no outro ou se é algo seu que se encontra projetado.”

 

Perigo - Foto de Rany Carneiro com Claudio Althiery e Michelly Barros

PERIGO

Realizado no dia 17 de novembro de 2011, no CLA da Unirio.

Sentado num saco plástico preto com uma placa no pescoço que continha os seguintes dizeres: “Perigo (sendo que o O era um coração) – Não se aproxime” iniciei a performance às 12:32 de uma quinta feira meio nublada. Havia também um pote roxo, não visível aos transeuntes, no qual continha balas de chocolate. Basicamente o público teve quatro tipos de comportamento:
a) O do não confronto. As pessoas abaixavam a cabeça para não “ver”, tendo assim um comportamento um pouco parecido de quando “vemos” algo na rua, como um pedinte, que não queremos ver; simplesmente não travamos contato visual, nos isolando em nosso próprio mundo.
b) O da fuga, buscando uma justificativa. As pessoas literalmente se afastavam, brincando ou fingindo entrarem no jogo, e já iam se justificando. “Está escrito perigo”. “Está mandando não se aproximar”. Com algumas pessoas acabei entrando no jogo e perguntava:
“Você tem medo do perigo?” Essa pergunta provocava geralmente risos e algumas piadas.
Também cheguei a perguntar: “Você faz sempre o que te mandam?”
Essa indagação gerava um certo constrangimento reflexivo por parte das pessoas, que não respondiam, mas que nitidamente era um questionamento que elas mesmas começavam a se fazer.
c) O flerte: Outros ficavam olhando timidamente, meio querendo saber o que estava acontecendo, meio fugindo. Não provoquei esse grupo, apenas sorri e naturalmente recebia um aceno de cabeça ou um sorriso de volta.
d) Os que interagiam: Sempre me davam um beijo.
Para esse grupo eu oferecia uma bala, após demonstrarem surpresa pela “recompensa” por se arriscarem, era inevitável algum comentário de como pode ser bom “correr algum perigo”.

Estamos cada vez mais nos isolando com medo do outro, do perigo que o outro representa. O outro é aquele que pode nos magoar, nos ferir, roubar nossos bens e o nosso coração. Nos protegemos de uma ameaça. Nos protegemos de um perigo fruto de nossa mente, fruto de nossa sociedade que produz fantasmas… No fundo nos protegemos de nós mesmos, de um perigo que existe na ideia que fazemos do outro.
Misturando Arte Conceitual e Performance no Campus do CLA, a proposta intitulada “Perigo / Anulação” consistia em ter uma caixa num tamanho que caberia uma pessoa dentro, essa caixa foi totalmente envelopada com várias imagens recortadas, formando um mosaico do que os nossos olhos ingerem ao absorverem diariamente a cultura pop, ao lado dela acabou ficando uma sacola colorida de compras e uma mochila. Em “Anulação” de Michelly Barros, o questionamento era a nossa anulação diária, sumimos diante das coisas, nos escondemos diante dos outros e como é que o “outro” nos vê se no fundo ele não nos enxerga já que não nos mostramos? Ao lado desses objetos a performance “Perigo” de Claudio Althiery dialogava questionando o perigo em se relacionar com o “outro”. E que outro é esse que nos mete tanto medo? Por que se eu sou o outro dos outros, eu não sou então um reflexo do outro e o outro não sou eu refletido no outro?

Festival de Curitiba

Fabrício Valmont e Bárbara, sua meia irmã, envolvem todos os personagens num plano de interesses pessoais, movidos pelo sentimento de vingança. Em um jogo sem regras, limites ou escrúpulos, o que importa é vencer. Mas tudo muda quando Valmont se apaixona e já é tarde demais para voltar atrás.

Relações Aportando em Curitiba

Fabrício Valmont e Bárbara, sua meia irmã, envolvem todos os personagens num plano de interesses pessoais, movidos pelo sentimento de vingança. Em um jogo sem regras, limites ou escrúpulos, o que importa é vencer. Mas tudo muda quando Valmont se apaixona e já é tarde demais para voltar atrás.

Adaptação: Claudio Athiery

Direção: Rubens Lima Jr

Elenco: Aline Rodrigues, Claudio Althiery, Larissa Landim, Leandro Caris, Michelly Barros, Rany Carneiro, Thadeu Matos.

Cenografia: Gaia Catta

Fotos: Rany Carneiro e Gaia Catta

Companhia: Meyd Inn Rio