Michelly Barros e Claudio Althiery – Foto de Gabriel Carneiro
De Cara Nova…
Meyd
No final de 2010, alguns alunos do curso de Artes Cênicas da Unirio se reuniram no intuito de formar um coletivo, nascendo assim o “Meyd Inn Rio”. Com o objetivo de estudar as relações humanas e como essas relações estavam individualizando a sociedade e esfriando o contato com o outro. Além de abordar a questão das máscaras sociais que acarretam com que o homem acabe tendo pelo menos duas posturas, a que ele tem em casa e a que ele tem em público. Após algumas intervenções (performances) o grupo decidiu trabalhar em cima de um texto dramatúrgico que trabalhasse com esses temas. Pesquisando a questão do público e do privado, o grupo percebeu que esse era um tema bastante abordado, e como se trata de uma questão social, acaba se tornando universal, por tanto atravessava os séculos sem perder a atualidade. O curioso é que várias obras teatrais e cinematográficas pesquisadas pelo coletivo bebiam numa mesma fonte chamada:
Les liaisons dangereuses
Que tipo de relação você estabelece com o outro?
Você Tem Medo do Perigo?
“Até que ponto eu vejo o outro como outra pessoa, até que ponto perco a objetividade e o vejo como um espelho de mim? Todos nós tendemos a projetar coisas de nossas almas sobre as outras pessoas, em maior ou menor grau, e em alguns momentos específicos. Avaliar melhor se aquilo que você tanto critica ou elogia em seu próximo está realmente no outro ou se é algo seu que se encontra projetado.”
PERIGO
Realizado no dia 17 de novembro de 2011, no CLA da Unirio.
Sentado num saco plástico preto com uma placa no pescoço que continha os seguintes dizeres: “Perigo (sendo que o O era um coração) – Não se aproxime” iniciei a performance às 12:32 de uma quinta feira meio nublada. Havia também um pote roxo, não visível aos transeuntes, no qual continha balas de chocolate. Basicamente o público teve quatro tipos de comportamento:
a) O do não confronto. As pessoas abaixavam a cabeça para não “ver”, tendo assim um comportamento um pouco parecido de quando “vemos” algo na rua, como um pedinte, que não queremos ver; simplesmente não travamos contato visual, nos isolando em nosso próprio mundo.
b) O da fuga, buscando uma justificativa. As pessoas literalmente se afastavam, brincando ou fingindo entrarem no jogo, e já iam se justificando. “Está escrito perigo”. “Está mandando não se aproximar”. Com algumas pessoas acabei entrando no jogo e perguntava:
“Você tem medo do perigo?” Essa pergunta provocava geralmente risos e algumas piadas.
Também cheguei a perguntar: “Você faz sempre o que te mandam?”
Essa indagação gerava um certo constrangimento reflexivo por parte das pessoas, que não respondiam, mas que nitidamente era um questionamento que elas mesmas começavam a se fazer.
c) O flerte: Outros ficavam olhando timidamente, meio querendo saber o que estava acontecendo, meio fugindo. Não provoquei esse grupo, apenas sorri e naturalmente recebia um aceno de cabeça ou um sorriso de volta.
d) Os que interagiam: Sempre me davam um beijo.
Para esse grupo eu oferecia uma bala, após demonstrarem surpresa pela “recompensa” por se arriscarem, era inevitável algum comentário de como pode ser bom “correr algum perigo”.
Estamos cada vez mais nos isolando com medo do outro, do perigo que o outro representa. O outro é aquele que pode nos magoar, nos ferir, roubar nossos bens e o nosso coração. Nos protegemos de uma ameaça. Nos protegemos de um perigo fruto de nossa mente, fruto de nossa sociedade que produz fantasmas… No fundo nos protegemos de nós mesmos, de um perigo que existe na ideia que fazemos do outro.
Misturando Arte Conceitual e Performance no Campus do CLA, a proposta intitulada “Perigo / Anulação” consistia em ter uma caixa num tamanho que caberia uma pessoa dentro, essa caixa foi totalmente envelopada com várias imagens recortadas, formando um mosaico do que os nossos olhos ingerem ao absorverem diariamente a cultura pop, ao lado dela acabou ficando uma sacola colorida de compras e uma mochila. Em “Anulação” de Michelly Barros, o questionamento era a nossa anulação diária, sumimos diante das coisas, nos escondemos diante dos outros e como é que o “outro” nos vê se no fundo ele não nos enxerga já que não nos mostramos? Ao lado desses objetos a performance “Perigo” de Claudio Althiery dialogava questionando o perigo em se relacionar com o “outro”. E que outro é esse que nos mete tanto medo? Por que se eu sou o outro dos outros, eu não sou então um reflexo do outro e o outro não sou eu refletido no outro?
$uce$$o
Vem aí coisas novas!
Novas relações, novas possibilidades, novos horizontes…
Peça ‘Relações Perigosas’ no 18º Festival de Teatro do Rio – Casa de Cultura Laura Alvim – Rio de Janeiro | Guia de Cidades
Saiu no jornal hoje!
Estamos no Guia OFF deste mês!
Está chegando a hora!
Homenagem ao Hamilton Vaz Pereira
Em junho de 2011, o coletivo Meyd Inn Rio foi convidado para participar de uma homenagem ao Hamilton Vaz Pereira que aconteceu no Palcão da UNIRIO.
O grupo apresentou a cena Comédia Pesada da peça A Leve… no último dia do evento, 16 de junho.
No elenco: Dani Carvalho, Hector Gomes, Larissa Landim, Henrique Juliano, Michelly Barros e Thadeu Matos.
Fotos por Rany Carneiro
Relações Perigosas no Festival do Rio
Página do evento no Facebook:
http://www.facebook.com/event.php?eid=131739706909380
Vem com a gente!
Vamos nos Relacionar?
Quer saber de um segredo?
Em breve contaremos alguns segredos inconfessáveis, segredos esses que são guardados a sete chaves, mas vocês poderão desvendá-los e vivenciá-los. Porém será um segredo nosso, teremos um encontro num espaço privado, onde somente um público seleto terá o privilégio de compartilhar esse momento!
Fotos de Rafael Burgos
























